Pesquisa avançada
Início - Grupo Parlamentar - Atual Legislatura - Atividades - Intervenções na Ar (Escritas)
 
 
Intervenções na Ar (Escritas)
Partilhar

|

Imprimir página
18/11/2015
Declaração política sobre a situação atual
Intervenção da Deputada Heloísa Apolónia
Declaração política sobre a situação atual
- Assembleia da República, 18 de novembro de 2015 –

Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O Sr. Deputado Telmo Correia vai desculpar-me, mas o PSD e o CDS é que andam numa absoluta contradição, porque ora dizem que não aceitariam, em qualquer circunstância, ficar num governo de gestão, ora dizem que, com certeza, aceitariam ficar num governo de gestão. Sabe porquê, Sr. Deputado? É porque o desespero é muito, é muito para não largar o poder.
Sr.as e Srs. Deputados, o País está suspenso à espera que o Presidente da República, que tarda, tome a decisão que se impõe para a formação do governo.
Com efeito, no passado dia 10 de novembro, a Assembleia da República deliberou a rejeição do Programa do Governo PSD/CDS, tal como o Presidente da República já sabia que aconteceria. O Parlamento deliberou dessa forma, porque nele existe uma maioria de Deputados, pertencentes a várias forças políticas, que não se associa ao PSD e ao CDS, no seu desejo ávido de continuar a cimentar políticas de empobrecimento estrutural e a desqualificação das potencialidades do desenvolvimento de Portugal, tornando-nos, sempre, mais dependentes do exterior.
Na verdade, PSD e CDS não têm qualquer suporte parlamentar, para além dos 107 Deputados que detêm juntos, o que é insuficiente para lhes suportar um governo e para lhes viabilizar essas medidas gravosas para o País, como as que aprovavam na Legislatura anterior. Perderam a maioria que tinham na Assembleia da República e as forças políticas que se comprometeram, perante os eleitores, com a mudança de políticas têm hoje a maioria de Deputados. Por mais que o PSD, o CDS e o Sr. Presidente da República não se conformem, essa foi a vontade dos eleitores!
O Presidente da República já sabia tudo isto quando nomeou o líder do PSD como Primeiro-Ministro e quando deu posse ao Governo PSD/CDS. Já sabia que o Governo cairia, aquando da aprovação de moções de rejeição do seu Programa, e já sabia que, por consequência, estava a arrastar uma decisão de governação para o País que se impunha, e impõe, como urgente.
O facto é que o arrastar da situação potencia um clima de instabilidade que é o Presidente da República que está a construir de uma forma incompreensível. O que é um facto é que já lá vão mais de 40 dias, desde o ato eleitoral, que chumbou a maioria de deputados do PSD e do CDS, e já lá vai mais de uma semana, desde o chumbo parlamentar do Governo PSD/CDS, traduzindo a decisão eleitoral dos portugueses, quando elegeram os 230 Deputados para a Assembleia da República, de onde resultou uma nova correlação de forças e a oportunidade de mudança política no País.
Os Verdes reafirmam que, face à composição parlamentar decorrente dos resultados eleitorais e à representatividade das forças políticas com assento parlamentar, estão criadas as condições para se formar um governo da iniciativa do PS e para se gerar e gerir uma solução de governabilidade de forma duradoura e sustentável, com políticas que promovam melhores condições de vida aos portugueses e desbloqueiem as potencialidades de desenvolvimento e de criação de riqueza do País, numa dimensão de sustentabilidade que agregue as componentes ambiental, social e económica do desenvolvimento.
Acresce, ainda, que foram estabelecidas posições comuns, quer pelo Partido Ecologista «Os Verdes», quer pelo PCP, quer pelo BE, com o PS, que traduzem uma visão alargada à XIII Legislatura e que refletem convergências parlamentares encontradas para os objetivos e questões, urgentes e emergentes, para gerar uma mudança política que traga esperança ao País e às suas gentes.
A Constituição da República Portuguesa não determina que o Primeiro-Ministro e respetivo governo saiam do gosto pessoal e político do Presidente da República mas, sim, que o Primeiro-Ministro seja nomeado pelo Presidente da República, tendo em conta os resultados eleitorais e ouvidos os partidos políticos com representação parlamentar. Os resultados eleitorais determinaram a perda da maioria de Deputados do PSD e do CDS e criaram as condições para uma alternativa de governabilidade que o Presidente da República não pode, em qualquer circunstância, ignorar ou relativizar.
Neste sentido, qualquer opção pela manutenção de um governo de gestão, por parte do Presidente da República, não poderia deixar de ser interpretada de três formas cumulativas: primeiro, como mais um amparo ao PSD, ao CDS e às suas políticas, rejeitadas pelos portugueses; segundo, como um ato de retaliação, em relação aos portugueses que fizeram escolhas nas eleições e que determinaram uma maioria de Deputados no Parlamento dispostos a promover uma mudança política; e, terceiro, como uma decisão que determinaria uma paragem oficial do País, sem margem de manobra para tomar decisões e criando uma crise política e institucional que não teria qualquer razão de existir.
Face a tudo isto que ficou referido, o Sr. Presidente da República não tem outra alternativa de decisão que não a de um governo da iniciativa do PS, sustentada nos resultados eleitorais e na disponibilidade dos diversos partidos políticos com representação parlamentar, os quais voltará a ouvir. E nada mais do que isto!
Tudo o que for para além disso, como exigências de pressupostos e, até, de políticas a prosseguir, extravasará o papel atribuído ao Presidente da República, na medida em que estão criadas as condições para o regular funcionamento das instituições.
Pela parte de Os Verdes, estamos aqui para contribuir para medidas e políticas que promovam melhores condições de vida no presente e no futuro aos tantos desempregados, aos tantos emigrados, aos tantos precários, aos tantos despejados, resultantes das políticas anteriores que foram prosseguidas de uma forma absolutamente insensível.
Concluo, Sr. Presidente, dizendo que estamos aqui para contribuir para políticas diferentes que acreditem nas pessoas, que não as usem em favor dos grandes interesses económicos e financeiros, que dignifiquem a nossa sociedade, que gerem sempre melhores padrões ambientais e modos de vida compatíveis com o uso sustentável dos nossos recursos. Estes são alguns compromissos estruturantes e programáticos de Os Verdes que materializaremos, em muitas propostas e soluções, durante a Legislatura, aqui, na Assembleia da República.
Voltar